1-LANÇAMENTOS DA SEMANA
*ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS (ALL GOOD THINGS). 2010.EUA.DIR:ANDREW JARECKI.ATORES:RYAN GOSLING,KIRSTEN DUNST.DRAMA.101 MIN.
Os crimes não solucionados são um prato cheio para a mídia e as pessoas em geral, que se perdem em especulações e hipóteses para trazer luz a algo tão atroz, e é isso que é explorado nesse filme que trata desse assunto. Esse assassinato misterioso ainda tem como pano de fundo uma Nova York sedutora,e para completar,numa família muito rica ligada ao ramo imobiliário,e está dada a largada para as emoções.
Acompanhamos a história de David Marks (Gosling), um rapaz que guarda algum trauma de sua infância que repercute em sua vida atual, isto é, ele presenciou o suicídio de sua mãe diante de um pai que não esboçou nenhuma reação para dissuadi-la. O pai agora quer que ele tome conta de seus negócios,uma perspectiva que não lhe é atraente,e David acaba um dia em uma de suas visitas a um apartamento com problemas,conhecendo Katie(Dusnt),uma linda garota que lhe passa toda a energia dos amantes,e eles acabam se casando e mudando para uma pequena cidade no estado de Vermont,onde abrem uma loja de alimento saudável,fugindo da grande cidade e do poder do pai de David.Mas os negócios não vão bem e eles acabam retornando,depois da pressão paterna para que David retome os negócios familiares.Aos poucos vamos vendo a transformação de David de um rapaz amoroso para uma pessoa violenta,que não deixa sua mulher se estabelecer como profissional,e a violência incontida nele vai acarretar uma tragédia,que não testemunhamos,mas somos informados que Katie um dia desapareceu para sempre,e nunca mais foi achada.O diretor Andrew Jarecki nos guia por possíveis suposições do que pode ter ocorrido,e de lá somos levados aos tribunais onde os advogados vão se digladiar para defender seus interesses,mas quando o filme acaba,ainda assim pairam tantas dúvidas do caso,embora a maioria do público tende a pender pela condenação de David.Os atores Gosling e Dunst dão um show de interpretação,nesse filme que não foi muito bem aceito pela crítica,mas que tem seu charme.
*DELÍRIO DE LOUCURA (BIGGER THAN LIFE). EUA.1956.DIR:NICHOLAS RAY.ATORES:JAMES MASON,BARBARA RUSH,WALTER MATTHAU.DRAMA.95 MIN.
Chega agora em DVD e Blu-Ray esse filme perturbador feito em 1956 pelo grande diretor Nicholas Ray, o mesmo que antes havia dirigido James Dean no antológico “Juventude Transviada”, e que toca numa das feridas da sociedade atual, isso é, o uso indiscriminado de remédios, numa crítica feroz à indústria farmacêutica, fato raro na cinematografia de sempre. O grande ator James Mason,que também produziu o filme, faz o papel do Professor Avery,um esforçado trabalhador que luta com dois trabalhos para poder sustentar sua ótima casa no subúrbio,e que um dia sente uma dor incontrolável que o faz desmaiar,e ao ser diagnosticado com um problema insolúvel no músculo,descobre que a única maneira de evitar aquela dor é tomando um remédio que naquela época era experimental,a cortisona.O problema é que ele começa a tomar o remédio além do permitido,e acaba seviciando,tornando-se egocêntrico,senhor de todas as verdades,e sua personalidade vai se transformando,a ponto dele se indispor com todas as pessoas em sua volta,além da esposa e do filho,e ele perde o controle de sua vida,tornando-se dependente químico.Esse filme mexe com a gente,pois corremos esse perigo,principalmente aqui no Brasil,onde a maioria das pessoas se auto-medica ou compra remédios sem receita.Um filme para ser visto como um alerta ,esse era a idéia do genial diretor Nicholas Ray.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*ERVAS FLUTUANTES (UKIGUSA). JAPÃO.1959.DIR:YASUJIRO OZU.ATORES:GANJIRO NAKAMURA,MACHICO KYÔ.DRAMA.119 MIN.
O diretor japonês Yasujiro Ozu fez escola no cinema mundial com sua câmera filmada rente ao chão e seu olhar sobre os dramas familiares do seu Japão. Esse belíssimo filme é uma refilmagem de um outro que Ozu fez em 1934,dessa vez feito a cores com uma paleta maravilhosa de luzes e nos conta a história de uma trupe itinerante de atores de teatro chamada “Ervas Flutuantes” chegando de barco em uma pequena cidade japonesa.Lá aportando, o mestre e ator principal que já passara por lá dozes anos atrás,vai visitar a antiga amante e rever seu filho,que o menino acha ser seu tio,despertando o ciúme incontrolável de sua esposa atual.Enquanto isso acompanhamos o envolvimento da trupe com os habitantes da cidade,as apresentações de seu teatro kabuki,tudo visto de uma maneira nostálgica onde até as desavenças e brigas fluem como um rio silencioso.Uma aula de cinema sob o olhar oriental de um diretor zen-budista.
3-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna aproveitei para ouvir a dupla de jazz Milt Jackson e seu vibrafone acompanhado de John Coltrane e seu sax-tenor maravilhoso no CD “Bags & Trane”, gravado em 1961 no único trabalho reunindo os dois gênios. Música da semana:”Three Little Words”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*CAPITÃES DE AREIA. BRASIL.2011. DIR: CECÍLIA AMADO. ATORES:JEAN LUIS AMORIM,ANA GRACIELA.DRAMA.96 MIN.
O escritor baiano Jorge Amado foi um formador de leitores ao seu tempo, e me lembro de ler vários de seus livros com avidez, principalmente esse que virou filme, e as imagens que Amado nos trazia eram de uma Bahia povoada por gente de verdade, brasileiros como nós com suas virtudes e defeitos, porém com um orgulho de ser povo. Não sei o que aconteceu com os nossos sonhos,mas hoje ao ver esse filme,senti uma coisa estranha,pois ali estava sendo valorizado o anti-herói,o trombadinha que aplica golpes nas pessoas de boa índole,o jeitinho brasileiro de passar a perna no outro,e de repente comecei a desconfiar que a obra do baiano poderia estar ficando datada.Vamos à história:numa Salvador da década de 30 vivem os garotos apelidados de “capitães de areia”,menores abandonados liderados pelo cabeça deles,Pedro Bala,onde vivem a rotina de praticar crimes,roubos e desafios contra outras gangues existentes na cidade. Entre os personagens encontramos Sem-Pernas, o Gato, o Boa Vida, o Professor e Dora, todos eles abandonados pelos pais e vagando sem rumo pela vida, como até hoje encontramos pelas ruas brasileiras, com o agravante das drogas como crack, que sem dúvida tiram qualquer charme desses meninos, que mais se parecem com animais indefesos. A diretora Cecília Amado,neta de Jorge,tenta imprimir uma direção esperta com cenas em câmera lenta nas lutas de capoeira,mas erra ao selecionar atores sem talento,sacrificando a história que perde o ritmo.Porém acredito que nossa juventude deve se divertir com os diálogos,e quem sabe,não se anime a também ler a obra de Jorge Amado.
*OS RAPAZES DA BANDA (THE BOYS IN THE BAND).EUA.1970.DIR: WILLIAM FRIEDKIN.ATORES: KENNETH NELSON, PETER WHITE.DRAMA.118 MIN.
Lembro-me de ter assistido a esse filme na década de 70 e o imaginava como uma comédia apresentando um grupo de homossexuais em uma festa, mas agora ao revê-lo mudei o gênero para drama, pois é bem amargo e às vezes embaraçoso. Estamos no dia do aniversário de Harold e seus amigos vão promover uma festa para ele no apartamento de Michael,e o que parecia ser um dia de descontração, acaba se resvalando para outros lados assim que os convidados vão aparecendo.Para começar,um antigo amigo de Michael aparece na cidade,e ele é heterossexual e nem suspeita das tendências do amigo,criando já um desconforto na turma alegre que chegava para se divertir.Logo aparece um presente para Harold,um michê vestido de cowboy completamente idiota e a festa começa a tomar outro rumo com acusações e brigas à medida que a turma vai se embebedando,terminando com um jogo cruel onde cada um deveria pegar o telefone e ligar para alguém declarando seu amor.O universo gay é mostrado em suas várias facetas,desde as pessoas escrachadas que vemos mormente,até pessoas de perfil conservador bem parecidas com heterossexuais,mas é impressionante como o diretor Friedkin pôs o dedo na ferida e nos mostrou situações que são universais e atemporais,não importa se o filme foi registrado na década de 70,pois as nossas inquietações e angústias transcendem as épocas.
2-MUSICAL: CIDA MOREIRA-A DAMA INDIGNA.
Muito antes de Amy Winehouse nascer, nós já tínhamos aqui no Brasil uma cantora com as mesmas características da britânica, além de ser uma exímia pianista e ótima atriz: Cida Moreira. Pois saiu esse mês em DVD o show que ela fez no Teatro Fecap em São Paulo,com participação especial do cantor Thiago Pethit,com músicas que marcaram a vida dela e de seu público.Cida junta no mesmo show canções dos Rolling Stones(“Sympathy for the Devil”) com a belíssima canção de Caetano Veloso,”O Ciúme”,e ainda se dá ao luxo de cantar “Back to Black” de Winehouse,tudo isso acompanhada apenas por seu piano,num registro antológico que vai agradar ao seu público.
3-DOCUMENTÁRIOS
*GRÉCIA-SUA HISTÓRIA E SEUS MITOS (2 DVDS)-HISTORY CHANNEL.
Para todas as pessoas que têm interesse pela história, essa coleção é um espetáculo e nos leva às conquistas e guerras dos gregos, seu apogeu na época dos grandes filósofos e o legado que deixaram para a civilização .Acompanhamos a ascensão e a decadência de Atenas,seus mitos que no futuro iriam influir nos rumos da psicologia de Freud, e no DVD extra,”Construindo um Império Grécia,seguimos o ator Peter Weller na reconstituição de sua arquitetura que transformou a humanidade num mundo de luzes e inteligência.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, aproveitei para ouvir e ver o DVD de Cida Moreira, ”A Dama Indigna”, onde ela canta as músicas que foram nossos hinos da resistência. Música da semana:”Hotel das Estrelas” de Jards Macalé e Duda Machado.
Otávio Paiva
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1-LANÇAMENTOS DA SEMANA
*GAINSBOURG-O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES (GAINSBOURG-VIE HEROÏQUE). FRANÇA.2010.DIR:JOANN SFAR.ATORES:ERIC ELMOSMINO),LAETITIA CASTA,LUCY GORDON.DRAMA.130 MIN.
Eis uma justa homenagem a um artista que foi um transgressor de sua época, e que atuou em diferentes áreas culturais como um guerrilheiro, passando por cima de convenções e criando melodias e poemas eternos. Serge Gainsbourg ficou conhecido no Brasil no final dos anos 60 por causa da proibição de uma música sua,considerada obscena para a censura militar,onde ele cantava ao lado da esposa, a atriz Jane Birkin,a canção “Je T’aime-Moi Non Plus”,em meio a gritos e sussurros que simulavam uma relação sexual.Belíssima música que o projetou mundialmente,Serge já tinha um histórico musical impressionante até então,ele que era judeu e começou a carreira como pintor,começando a compor no início canções antiquadas,que foram mudando de acordo com o tempo ,passando a jazz,pop,rock,reggae e funk,já com conotações sexuais.Suas primeiras intérpretes foram Juliette Grecco(com quem teve um romance) e Françoise Hardy.Seu estouro aconteceu em 1969 com “Je T’aime”,que ele havia composto para Brigitte Bardot,que era casada até então,porém sua amante,mas que ficou conhecida na voz de sua nova namorada Jane Birkin,sendo banida em vários países por causa dos sons de orgasmos ouvidos,embora hoje seja considerada uma das mais belas canções românticas de todos os tempos.Gainsbourg foi bastante ativo,além de um conquistador de belas mulheres como Bardot,Birkin e Grecco,apesar de não ter um padrão de beleza ideal, e gravou brilhantes álbuns na década de 70,mas sua gravação do hino francês “La Marseillaise” na Jamaica com a banda de Bob Marley em ritmo de reggae,rendeu-lhe ameaças de morte por parte dos franceses que se sentiram ultrajados com o arranjo.Nesse filme ficamos impressionados com o ator Eric Elmosnino,que tem a mesma fisionomia de Serge e ganhou o prêmio César de 2011, e sua feitura foi baseada em uma obra de quadrinhos sobre a vida do compositor feita pelo diretor Joann Star.
*O CONCERTO (LE CONCERT). FRANÇA.2009.DIR:RADU MIHAILEANU.ATORES:ALEKSEY GUSKOV,MÉLANIE LAURENT.DRAMA.119 MIN.
Belíssimo filme dirigido pelo romeno Radu Mihaileanu, que atualmente está em cartaz no Brasil com a comédia “A Fonte das Mulheres”, onde acompanhamos a história de um maestro, Andrei Filipov, atualmente desempregado e que foi despedido trinta anos atrás da Orquestra do Bolshoi por ter contratado músicos judeus, em pleno período da ditadura comunista de Leopold Brezhnev. Vivendo atualmente de homem de limpeza do teatro que outrora trabalhou,Filipov um dia descobre por acidente que o Teatro Chatelêt de Paris está convidando a orquestra para tocar lá, e sem que os diretores fiquem sabendo,ele resolve reunir seus ex-músicos desempregados para irem no lugar da orquestra oficial.Convida então uma jovem solista que vive na França,Anne-Marie Jacquet,para apresentarem juntos um concerto de Tchaikovsky,e assim agrupa uma turma de judeus,ciganos e camelôs para essa grande empreitada que pode tirá-los do ostracismo,mas as dificuldades são inimagináveis,e e eles terão de se superar para terem êxito.Essa produção é feita de uma parceria entre França,Itália,Romênia e Bélgica,filmada em Paris e Moscou,e nos brinda com boas risadas e um final de muitas lágrimas que emociona as platéias,pois há um segredo que cerca a violinista,e que não vou contar para não estragar a surpresa.
2-CULT MOVIE
* INSTITUTO DE BELEZA VÊNUS (VÉNUS BEAUTÉ). FRANÇA.1999.DIR:TONIE MARSHALL.ATORES:NATHALIE BAYE,BULLE OQUIER.DRAMA.105 MIN.
O cinema francês é muito injustiçado em nossa terra e é sempre associado a diálogos intermináveis, uma profusão de silêncios e a câmera bem lenta envolvendo a quadratura da tela como se ela fosse mais importante que os atores. Tudo isso não passa de um preconceito de quem não entende bulhufas de nada, pois a França praticamente descobriu o cinema através de Daguerre e nos brindou com artistas como Godard, Truffaut, Jean Renois e uma série de gênios que mudaram a história cinematográfica. Por essa razão sempre que aparece alguma novidade de lá estou daqui atento e dessa vez fiquei encantado com essa produção sensível que se passa quase toda dentro de um salão de beleza comandado por Nadine e mais 3 esteticistas. Local sagrado para todos aqueles que procuram o milagre dos tratamentos de beleza que transformam o feio em algo belo, lá vamos encontrar pessoas em busca de um amor que se perdeu ou em busca de se acharem no meio desse mundo trágico e cruel que nos assusta com suas regras frias. Recomendável para as pessoas de alma sensível que ainda acreditam que a arte pode nos tirar da barbárie em que vivemos.
3-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, aproveitei para ouvir um cd do ex-líder do Grateful Dead, Jerry Garcia e sua banda, num show de 2004, antes dele nos deixar para sempre. Música da semana:”Good Night Irene”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*A ÁRVORE DA VIDA (THE TREE OF LIFE). EUA.2011.DIR:TERRENCE MALICK.TORES:BRAD PITT,SEAN PENN,JESSICA CHASTAIN.DRAMA.139 MIN.
Até agora esse filme pode ser considerado um dos melhores desse ano que passou, e seu diretor, Terrence Malick, famoso recluso e professor nas horas vagas, nos arrebata com um visual luxuoso que nos remete ao princípio do mundo com o Big Bang e a formação do nosso planeta até chegarmos ao núcleo de uma família numa alusão micro-cósmica de uma família texana da década de 50. Acompanhamos a jornada do filho mais velho,Jack,desde sua tenra infância,junto ao seu irmão,até a perda desse irmão,onde aparece a morte em sua vida, e o difícil relacionamento com o pai,Mr. O’Brien(Pitt),um homem ao mesmo tempo carinhoso e bruto com as crianças.Jack,já adulto(Sean Penn) vai refletir sobre tudo isso em meio a um mundo moderno e sem fé,nesse filme sem começo e nem fim onde tudo flui como um caleidoscópio onde escolhemos as imagens meio por acaso.Para alguns críticos o filme foi tachado de pretensioso,mas o que fica ao fim são mais perguntas que respostas,e a questão familiar cala fundo naqueles que nasceram na década de 50,onde não havia tanta abertura entre pais e filhos.Enfim,um filme para se ver mais de uma vez.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*AS AVENTURAS DE TOM JONES (TOM JONES). ING.1963.DIR:TONY RICHARDSON.ATORES:ALBERT FINNEY,SUSANNAH YORK.COMÉDIA.129 MIN.
É bem complicado adaptar obras literárias para a linguagem cinematográfica, e quando se é bem sucedido, devemos elogiar, e esse é o caso dessa adaptação da novela de Henry Fielding feita pelo diretor Tony Richardson. Evidentemente seria quase impossível passar para a tela toda a complexidade e tantos personagens como há no livro, mas podemos acompanhar as estripulias desse playboy do século dezoito em plena Inglaterra desde seu nascimento e sua adoção por uma rica família, até sua deserção e descaminhos pela Londres de então. O escritor Henry Fielding usou de toda a imaginação para criticar a realeza de sua época e seu personagem Tom Jones vai se defrontar com vários nobres para poder provar seu amor à sua amada.O ator Albert Finney encarna o personagem principal de maneira justa e o filme acabou levando várias estatuetas do Oscar,incluindo Melhor Filme,Diretor,Roteiro e Trilha Sonora,fazendo jus a essa comédia engraçadíssima.Como extra temos uma explicação sobre a obra prima de Fielding e sua importância para a literatura mundial.
NOS BRAÇOS DE ESTRANHOS (INTO THE ARMS OF STRANGERS). EUA.2000.DIR.:MARK JONATHAN HARRIS.NARRAÇÃO DE JUDI DENCH. 118 MIN..
Existem documentários que são importantes para que todos vejam e esse é um deles, pautado que foi na vida real de todos aqueles que viveram os anos 30 e 40 e acompanharam um dos momentos mais dramáticos já vistos pela humanidade: 10.000 crianças judias que se refugiaram na Inglaterra no final dos anos 30 abrigadas em orfanatos e casas adotivas. Naquela época nenhum país aceitava refugiados vindos da Alemanha, excetuando a Inglaterra que aceitava apenas as crianças e nesse documentário podemos vê-las se despedindo dos pais para nunca mais ver, pois quase todos morriam nos campos de concentração. O filme utiliza fotos de arquivo e entrevista com as crianças depois quando se tornaram adultas trazendo uma forte emoção em todos que vêem os relatos. Altamente recomendável a todos, principalmente os estudantes que ainda não viram a cor do totalitarismo. Vencedor do Oscar de 2000 como Melhor Documentário.
4-MUSICAL
*CAROLE KING IN TOKYO.EUA.2008.87 MIN.
A cantora e compositora Carole King é uma lenda na história musical da América do Norte e sua história se confunde com o início do rock and roll, pois ela ainda bem cedo já trabalhava nos escritórios da Tin Pan Alley, uma espécie de departamento onde se criavam os grandes hits das paradas. Foi lá que ela emplacou “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” na voz de Aretha Franklin e “Chain” com a ajuda dos Beatles.Somente em 1971 conseguiu gravar seu álbum solo,”Tapestry”,considerado um dos melhores de todos os tempos,e lá estão seus principais sucessos como “It’s Too Late”,”You’ve Got A Friend” e “So Far Away”,músicas que até hoje ela canta para as platéias embevecidas,tais como os japoneses,que são seus grandes fãs.
5-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, assisti novamente a esse maravilhoso show de Carole King em Tóquio. Música da semana: “Up On The Roof”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*REPÓRTERES DE GUERRA (THE BANG BANG CLUB). EUA.2010.DIR:STEVEN SILVER.ATORES:RYAN PHILLIPE,MALIN AKERMAN.DRAMA.106 MIN.
Há poucos dias um repórter brasileiro foi morto no Rio de Janeiro ao cobrir uma ação policial de retomada de um morro, e voltou à baila de novo a discussão sobre os limites éticos e de segurança no trabalho jornalístico. É mais ou menos o que acontece nesse filme que conta a história verdadeira de um grupo de repórteres de guerra que cobria as primeiras eleições livres da África do Sul, arriscando a vida para trazer ao mundo a realidade brutal do preconceito racial. O grupo formado por Greg Marinovich, o português João Silva, Kevin Carter e Ken Oosterbroek acabou sendo reconhecido mundialmente e dois deles ganharam o Pulitzer,um prêmio muito bem reconhecido pelo trabalho que tiveram,mostrando não só o momento político conturbado, mas o próprio conflito entre eles, que têm a responsabilidade de fotografar cenas terríveis de morte para venderem jornais, ou se fica a questão ética de que servirão de alerta para a violência sem limites de uma guerra. Acompanhamos num fôlego só as cenas que podem ser brutais para certa parte do público,mas que mostra a realidade dos confrontos que ora surgem em várias partes do mundo nesse momento,e fica no ar a questão da tolerância com o outro ser humano, o apartheid racial que até hoje é latente em algumas partes,e a impotência da política para resolver essas questões.O ator Ryan Phillipe tem um bom desempenho deixando um pouco de lado suas atuações açucaradas de antes,e o roteiro está amarrado nos prendendo a atenção para esse drama bem movimentado.O filme foi baseado em um livro com o mesmo nome do título,escrito pelos repórteres Marinovich e João Silva.
*MINHAS TARDES COM MARGUERITTE (LA TÊTE EM FRICHE). FRANÇA.2010.DIR:JEAN BECKER.ATORES:GÉRARD DEPARDIEU,GISÈLE CASADEUS.DRAMA.82 MIN.
O diretor francês Jean Becker já havia nos brindado com um excelente filme chamado “Conversas Com Meu Jardineiro”, e agora nos comove novamente com essa simpática história de Germain Chazes ( Depardieu em atuação maravilhosa), um homenzarrão todo desajeitado e que sofre com a lembrança da mãe que o maltratava sempre, chamando-o de burro e inútil. Um dia ele encontra em um banco de praça uma senhora de idade avançada,de nome Margueritte(Casadeus),e ali começam uma amizade sem par onde ambos vão descobrindo o valor de se ter alguém para nos ouvir.Ela também tem suas dificuldades,vivia em um asilo luxuoso,mas vai ter se mudar pois seus sobrinhos não tinham como arcar com o aluguel,e assim terá de morar com eles em um bairro distante,e seu grande prazer na vida é passar as tardes em uma praça com seus amados livros e os pombos ao redor.É impressionante a atuação dos dois atores,Depardieu é um monstro sagrado, e com todo aquele tamanho ainda conserva uma doçura além de sua generosidade de compor seu papel e dar espaço a Giselle Casadeus,uma atriz com 96 anos de idade,veterana em dezenas de filmes,e que com seus quarenta quilos,dá um banho nele de interpretação.Um filme para todas as gerações e que não força a barra para as pessoas chorarem,embora algumas lágrimas fiquem difíceis de serem seguradas.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*AMAR É SOFRER (THE COUNTRY GIRL), EUA.1954.DIR: GEORGE SEATON.ATORES: GRACE KELLY, BING CROSBY, WILLIAM HOLDEN.DRAMA.
A belíssima atriz norte-americana Grace Kelly foi uma das mulheres mais belas que as telas já capturaram, e seu fim trágico em Mônaco serviu para reforçar a mitologia em torno de si. Aqui nessa produção ela se esmerou e levou o Oscar de Melhor Atriz merecidamente no papel de uma esposa abnegada,Georgie Elgin, que tem como carma um marido alcoólico,Frank Elgin(Crosby),grande ator e cantor que tenta se reerguer ganhando um papel principal em um novo musical.Frank carrega um grande trauma em sua vida,com a morte de um filho,e de tão inseguro ele começa a beber de novo,pondo em risco toda a produção da peça,e ainda vai ter de lidar com o produtor Bernie Dodd(Holden),que vai tentar lhe dar uma força,mas apaixona por sua esposa.Apesar do Oscar de Grace,a grande performance fica com William Holden que usa de toda sua energia para eletrizar as cenas,e uma coisa engraçada é que parece que o diretor tentou transformar Grace em uma mulher sem grandes atrativos,colocando-lhe um óculos de fundo de garrafa e roupas sem graça,mas é impossível fazer de nossa grande deusa uma mulher comum,pois sua beleza escapole e brilha na escuridão do cinema.
3-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, me deixei levar pela arte do Senhor Angenor de Oliveira, Cartola, um dos nossos maiores poetas e músicos de língua portuguesa. Música da semana:”Acontece”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*A ÚLTIMA ESTAÇÃO (THE LAST STATION).INGLATERRA.2009.DIR: MICHAEL HOFFMAN.ATORES: CHRISTOPHER PLUMMER, HELEN MIRREN.DRAMA.112 MIN.
O escritor russo Leo Tolstoi notabilizou-se pelo seu livro mais famoso, “Guerra e Paz”, um verdadeiro tratado literário sobre a Rússia no Século Dezenove no tempo de Napoleão Bonaparte, onde as guerras entre os dois países e as relações entre a aristocracia russa são tratadas de forma magistral. Porém aqui nesse filme já acompanhamos Tolstoi em seus últimos momentos, e sua batalha contra a esposa,Condessa Sofia, por conta de seu testamento onde ele quer deixar tudo para o povo russo,ao invés de sua família,gerando grande reação entre eles.À medida que sua saúde vai se deteriorando,Tolstoi isola-se do mundo em sua propriedade com adeptos de uma religião ligada à fraternidade, e passa a viver como um hippie,cercado de bajuladores que o instaram a passar sua herança para essa nova religião.O ator James McAvoy faz o papel de seu secretário,e apesar de estar lá infiltrado para vigiar sua esposa,tem uma tremenda adoração pelo seu guru,e vai experimentar reações diferentes com relação ao seu papel.O grande trunfo desse filme é a atuação de Christopher Plummer no papel do escritor russo,com uma exuberância e força que nos comove,além de sua parceira Helen Mirren no papel da esposa,ambos concorrendo ao prêmio do Oscar,além da direção das cenas exemplar,e uma trilha sonora marcante,tudo isso fazendo desse filme um verdadeiro monumento à sensibilidade,embora não seja acuradamente realista no tocante á biografia de Tolstoi.
2-CLÁSSICO DOCINEMA
*A NOITE DOS GENERAIS (THE NIGHT OF THE GENERALS). INGLATERRA.1967.DIR:ANATOLE LITVAK.ATORES:PETER O’TOOLER,OMAR SHARIF.GUERRA.148 MIN.
Esse filme vem crescendo aos olhos da crítica a cada vez que é visto, e nos leva à Segunda Guerra, onde o assassinato de uma prostituta em Varsóvia leva o Major Grau (Sharif) a investigar a vida de três generais suspeitos do crime. A suspeita veio de uma testemunha que havia visto o uniforme do general,apesar de não ter visto o rosto,e o Major vai ter de lidar com o perigo,já que os generais são poderosos,e esse incidente acaba levando-o à Paris e diretamente a uma trama que envolvia o assassinato de Adolf Hitler em 1944.Com grandes atuações de Peter O’Toole e Omar Sharif,além de uma rápida aparição de Christopher Plummer no papel do marechal Rommel, um típico filme para os amantes do período odiento do nazismo.
3-DOCUMENTÁRIO
*OS E.U.A. X JOHN LENNON (THE US. vs. JOHN LENNON).EUA.2006.DIR: DAVID LEAF, JOHN SCHEINFELD.ELENCO: JOHN LENNON, YOKO ONO, GORE VIDAL, WALTER CRONKITE.99 MIN.
Os anos 60 nos Estados Unidos foram acalorados e perigosos, com o país se afundando em uma guerra insana no Vietnã e um presidente na berlinda, Richard Nixon, com uma oposição brava na sua cola, não só de políticos, mas de artistas, que cobravam s saída do país da Ásia. Um desses artistas era além de tudo um imigrante,o inglês John Lennon,recém afastado da maior banda de todos os tempos,Os Beatles, seguindo carreira solo e morando em Nova York com sua nova esposa,Yoko Ono,e que havia aderido a uma nova postura política de esquerda,andando com membros dos Panteras Negras e malucos como Allen Ginsberg,o poeta beatnik,Jerry Rubin e Abbie Hoffman.É dessa fase músicas como “Give Peace a Chance” e “War is Over”,demonstrando a preocupação de Lennon com a guerra,fato que desagradou profundamente o governo americano,que colocou J. Edgar Hoover, diretor do FBI, na sua cola e gerando nele uma paranóia, quando a justiça pediu sua deportação. Esse documentário nos resgata um tempo da vida de John Lennon onde ele renegou seu passado bem comportado do começo de carreira nos Beatles e selou fileira com os movimentos a favor da paz e da fraternidade,pagando um alto preço pela sua ousadia,mas nos mostrando quanta falta ele faz nesse momento em que as populações se rebelam contra o poder estabelecido.
4-MUSICAL
*PATO FU-MÚSICA DE BRINQUEDO AO VIVO. 2011.
O Pato Fu é uma banda mineira tão criativa que cada vez mais nos surpreende e dessa vez eles gravaram um disco só com instrumentos de brinquedo, com um repertório cheio de canções conhecidas para um público variado que vai desde as crianças até os mais velhos. A dificuldade para produzir essa obra de arte é impressionante,como atesta o DVD, mas o resultado é brilhante,com a valiosa presença do grupo Giramundo,um grupo de teatro de bonecos,que substituiu os meninos que cantaram no CD para as excursões.As músicas vão de Titãs a Paul McCartney,passando por Queen e Roberto Carlos,mas é satisfação garantida para todos.
5-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, assisti de novo ao DVD do Pato Fu, e me diverti com suas interpretações dos clássicos na voz de Fernanda Takai. Música da semana:”Love Me Tender”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*FELIZ QUE MINHA MÃE ESTEJA VIVA (JE SUIS HEUREUX QUE MA MÈRE SOIT VIVANT). FRANÇA.2009.DIR.:CLAUDE MILLLER/NATHAN MILLER.ATORES:VINCENT ROTTIERS,SOPHIE CATTANI.DRAMA.90 MIN.
Um fato inusitado acontece aqui nesse filme, onde pai e filho assinam a direção desse drama com um toque de suspense e que nos prende à tela. Claude Miller já tem um nome na cinematografia francesa tendo sido assistente de Jean-Luc Godard e François Truffaut,e com uma produção que inclui “Ladra e Sedutora” baseada em um roteiro de Truffaut.Aqui acompanhamos a vida de um rapaz que foi abandonado pela mãe aos quatro anos junto com seu irmão menor,que os deu a um casal para adoção,mas ele acaba um dia reencontrando a mãe sem que seus pais adotivos saibam e retoma sua relação de uma maneira secreta.Seu relacionamento é complicado e resvala inclusive para um lado erótico,com a porção edipiana do rapaz aparecendo á medida que a mãe se abre com ele.De repente um fato grave acontece e vai por à prova o amor maternal,em um final que nos mostra a importância da criação dos filhos na família,mas a mensagem que fica não é conservadora,mas um aviso sobre nossas inconseqüências nas escolhas que fazemos.Esse é um filme para um público que está mais afeito aos filmes de arte.
*MULHERES APAIXONADAS (WOMEN IN LOVE).INGLATERRA.1969.DIR.: KEN RUSSELL.ATORES: GLENDA JACKSON,ALAN BATES.DRAMA.131 MIN.
Até que enfim é lançada em DVD essa obra prima do louco diretor inglês Ken Russell(que acabou de falecer), aquele mesmo maluco que dirigiu “Tommy”, baseado na ópera-rock do grupo The Who, além de exageros como “Lizztomania” e “Delírio de amor”, sobre a vida do músico Tchaikovsky. Russell tirou essa história do livro do grande escritor inglês D.H. Lawrence, e é passada na Inglaterra pouco depois da Primeira Guerra Mundial, onde a morte de muitos homens na batalha, leva as mulheres a se questionarem sobre como viverem sem eles, ou como conseguirem se casar e ainda achar o verdadeiro amor.Temos lá dois grandes amigos, Gerald e Rupert,que se apaixonam por duas irmãs,Gudrun que é escultora e Úrsula que é professora.Após se casarem,Rupert e Úrsula convidam o outro casal para uma lua de mel na Suíça,mas a s relações entre eles vão se diferindo com o tempo e ,enquanto Rupert e Úrsula aprendem a se doarem um ao outro, Gerald e Gudrun não conseguem a conexão necessária para dar a liga de um amor,e as conseqüências serão desastrosas.O desempenho dos atores é formidável,sobressaindo a belíssima atriz Glenda Jackson, que inclusive ganhou o Oscar de Melhor Atriz no ano seguinte.Me lembro quando trouxemos esse filme aqui na Sessão Maldita que fazíamos junto com o inesquecível Roberto Cruz nos anos 70, e como a platéia reagiu ao erotismo das cenas;na época não entendi bem o filme,mas adorei o resultado,e hoje ao revê-lo,vejo que o tempo só o fez crescer em beleza.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*UM CASAL DO BARULHO (MR. & MRS SMITH). INGLATERRA.1941.DIR.:ALFRED HITCH COCK.ATORES:CAROLE LOMBARD,ROBERT MONTGOMERY.COMÉDIA.95 MIN.
O inusitado desse filme de Hitchcock é que ele não é um suspense como estamos acostumados a ver com o mestre diretor inglês, mas uma comédia hilariante que mostra a genialidade dele em conduzir em sua palheta os diversos registros que o fazem um dos melhores de todos os tempos. Acompanhamos um casal de Nova York,David e Ann ,que já estão juntos há três anos e verdadeiramente apaixonados,mas devido a um problema técnico de jurisdição do estado em que casaram,o casamento deles é dado como ilegal.Um pouco antes de saberem disso,num jantar, David é perguntado pela mulher se ele pudesse voltar no tempo, teria se casado com ela,e ele responde que não,deixando Ann sem entender nada.Ao saber que não são casados,ela parte para o ataque e decide não casar com ele de novo,vivendo de novo uma vida de solteira,e agora é a vez dele lutar para ter sua mulher de novo.Os atores Carole Lombard e Robert Montgomery estão bem engraçados,e a atriz, que era casada com Clark Gable,morreria tragicamente no ano seguinte de acidente de avião.Apesar de quase ao fim o diretor se perder em maneirismos,mesmo assim é um filme imperdível.
3-MUSICAL:CROSSROADS-ERIC CLAPTON-GUITAR FESTIVAL-2010.
Eric Clapton fundou em 1998 o Crossroads Center, um centro de tratamento para drogados e alcoólicos, e uma das maneiras de financiar o instituto foi criar esse festival maravilhoso dedicado ao blues, que ele faz todos os anos em Chicago. Com mais de quarenta canções tocadas por gente como B.B.King, Robert Cray, Jeff Beck, Ronnie Wood, Buddy Guy, e outros ases da música, é uma experiência fascinante poder acompanhar o virtuosismo deles, numa causa mais que justa.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna aproveitei para ver mais uma vez o DVD duplo do Crossroads, com Eric Clapton recebendo os maiores músicos do planeta para tocarem os blues. Música da semana:”Voodoo Chile”,com Eric Clapton e Steve Winwood.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*NÃO ME ABANDONE JAMAIS (NEVER LET ME GO).2010.EUA.DIR.: MARK ROMANEK.ATORES:CAREY MULLIGAN,ANDREW GARFIELD,KEIRA KNIGHTLEY.DRAMA.103 MIN.
Um filme sensível que mexe com nossos medos mais profundos, e quanto mais assistimos mais nos perguntamos a razão de nossa existência e a duração de nossa vida.
Baseado no livro de grande sucesso de Kazuo Ishiguro, acompanhamos a história de Kathy (Mulligan), Ruth (Knigthey) e Tommy (Garfield), três amigos muito chegados que cresceram juntos em um internato inglês,um lugar encantador onde vivem momentos mágicos,até descobrirem um terrível segredo que vai afetá-los para sempre.Na verdade eles são clones produzidos geneticamente e a utilidade que têm é serem doadores de órgãos quando saírem do internato e alcançarem a idade adulta,restando a eles então pouco tempo para aproveitarem a vida e amarem.Não pensem que irão assistir a um filme de ficção científica pura,pois não interessa ao diretor enveredar por esse prisma,mas sim mostrar através de cenas idílicas e lentas a luta deles para sorverem do prazer diário de estarem vivendo,embora não haja neles uma revolta e ajam quase passivamente diante da realidade que os aguardam.Mesmo quando os revemos já sofrendo de algum tipo de mutilação,não nos perpassa nenhum desconforto,senão uma melancolia,mas ao fim somos tocados pela humanidade que eles aspiram.O interessante a respeito desse tema é que já há algum movimento nos meios científicos para a produção de clones humanos e fica em nós a indagação sobre como iremos lidar com isso no futuro.
*A HONRA DO PODEROSO PRIZZI (PRIZZI’S HONOR). EUA.1985.DIR.:JOHN HUSTON.ATORES:JACK NICHOLSON,KATHLENN TURNER,ANJELICA HUSTON.COMÉDIA.130 MIN.
Só agora sai no Brasil o DVD desse fantástico filme dirigido com maestria por Huston, com interpretações magníficas de Nicholson, da então belíssima Kathleen Turner, e da então esposa de Jack e filha do diretor, Anjelica Huston, que faturou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O inteligente roteiro nos coloca à frente de uma situação não usual:o que pode acontecer quando dois assassinos contratados para se matarem se apaixonarem?Isso foi mostrado um pouco no filme Mr. E Mrs. Smith, com o casal Brad Pitt e a musa Angelina Jolie, mas não chega aos pés dessa comédia com tons escuros. Jack faz o papel de um assassino de aluguel,Charley Partana, que foi praticamente criado pela família Prizzi,que tem uma afeto especial depois que a neta do padrinho mafioso Don Corrado,Maerose(Anjelica) cometeu uma injustiça com ele.Acontece que ele encontra num casamento uma loura de nome Irene Walker(Turner) e se apaixona perdidamente,sem saber que eles teriam de se matar a mando de seus chefes.Rolam cenas hilariantes de ciúme,inveja e maldade entre o trio principal,mas a grande sacada desse filme sobre a máfia é a importância da família,mesmo entre gente de péssima reputação.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*MEU PASSADO ME CONDENA (VICTIM). INGLATERRA.1961.DIR.:BASIL DEARDEN.ATORES:DIRK BOGARDE,SYLVIA SYMS.DRAMA.90 MIN.
Esse filme tem grande importância, pois foi o primeiro a abordar o universo gay, mostrando o preconceito que então era muito forte na sociedade inglesa, cujas leis puniam o homossexual. O diretor convocou então o grande ator inglês Dirk Bogarde,um homossexual que nunca assumiu sua condição,mas que aceitou o papel para poder sair um pouco do padrão de mocinho que ele cultuava,e ambos produziram uma obra à frente de seu tempo.Bogarde faz o papel do advogado Mellville Farr, muito bem conceituado em vias de se tornar juiz, ,casado e que vai ter de lidar com um chantagista que tem fotos dele com um jovem dentro de um carro,jovem esse que não suporta a chantagem e se suicida na cadeia.Farr descobre então que outras pessoas estão passando pelos mesmos problemas e intensifica a procura em conjunto com um inspetor da polícia até localizar o falsário,mas tudo isso vai ter um custo enorme para sua reputação e seu casamento.Há cinqüenta anos atrás esse filme abriu os olhos da justiça e do público para a descriminalização dos homossexuais e ajudou a cair mais essa barreira da intolerância.
3-DOCUMENTÁRIO
*WALDICK SORIANO, SEMPRE NO MEU CORAÇÃO. BRASIL.2009.DIR.:PATRÍCIA PILLAR 58 MIN.
A sempre bela atriz Patrícia Pillar resolveu ir para trás das câmeras e arrasou nesse documentário contando a história do cantor Waldick Soriano, o famoso cantor saído do sertão baiano de Caitité,que passou por verdadeiras provações até chegar ao estrelato.Waldick fez de tudo,foi garimpeiro,engraxate e lavrador e acabou caindo em São Paulo onde gravou seu primeiro álbum e estourou na década de 70 com sua música mais conhecida:”Eu Não Sou Cachorro Não”, um hino brega adorado pelo povão.Patrícia mostra com grande sensibilidade a história pessoal de Waldick,seus fracassos familiares e a solidão que passava,já no fim de sua vida, e acho difícil assistir a esse documentário sem derramar algumas boas lágrimas.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna aproveitei para conhecer o novo álbum de Stephen Malkmus and The Jicks, ”Mirror Traffic”, com sua guitarra melodiosa e grandes canções. Música da semana:”Share The Red”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*EM UM MUNDO MELHOR (IN A BETTER WORLD). DINAMARCA/SUÉCIA.2010.DIR.:SUSANNE BIER.ATORES:MIKAEL PERSBRANDT,TRINE DYRHOLM.DRAMA.119 MIN.
O cinema escandinavo sempre nos surpreende, começando lá atrás na Suécia com a linhagem de Ingmar Bergman que revolucionou a linguagem cinematográfica, passando pela Dinamarca com o movimento Dogma na década de 90 que também inovou e levou o cinema para novos padrões. A diretora dinamarquesa Susanne Bier,também ligada ao Dogma, já havia nos brindado com ótimas produções como “Depois do Casamento” e “Coisas Que Perdemos Pelo Caminho” e agora nos apresenta esse filme que une muito bem o lado artístico com o comercial,nos segurando o tempo inteiro na tela com sua história envolvente.Aqui ela nos conta a história de um doutor de nome Anton(Persbrandt) que divide sua vida entre sua bela e tranqüila cidade na Dinamarca e seu trabalho em um campo de refugiados na África,lutando contra as doenças endêmicas que perseguem os pobres africanos.Nesse mundo dividido,ele acaba tendo de enfrentar conflitos que surgem do seio de sua família,onde convive com sua esposa Marianne e dois garotos,sendo que seu casamento está na berlinda e o divórcio parece ser a única possibilidade.Seu filho mais velho Elias está sofrendo de “bullying” na escola,até que aparece um novo garoto chamado Christian que acabou de chegar de Londres ,depois de perder a mãe com um câncer devastador.Nasce dali uma grande amizade entre eles,mas a situação fica fora de controle quando Christian envolve Elias em um incidente sério, ao tentar vingar a honra do pai de Elias que foi insultado na rua por um motorista,e a amizade deles vai ser posta à prova.É chegada a hora dos pais intervirem e ajudarem os meninos a aprenderem palavras importantes como o perdão,trazendo uma mensagem positiva sobre a vida,nesse filme premiado como melhor produção estrangeira pelo Globo de Ouro e o Oscar.
*ÁGUA PARA ELEFANTES (WATER FOR ELEPHANTS).EUA.2011.DOR,: FRANCIS LAWEWNCE.ATORES:REESE WITHERSPOON,ROBERT PATTINSON.,CHRISTOPHE WALTZ.DRAMA.120 MIN.
Muitas vezes Hollywood investe pesadamente em produções esmeradas, com os atores da moda, mas no fim alguma coisa desanda e o produto final fica a desejar. É o caso desse filme que nos promete uma viagem pelos anos trinta onde o circo se mistura ao romance e o final é edificante,mas não foi o que aconteceu infelizmente aqui,punindo principalmente a atriz Reese Witherspoon,que já teve seus momentos de glória.O mais grave fica por conta do galã e bonitão Robert Pattinson,astro teen do “Crepúsculo” e que ainda não teve seu papel memorável(ah sim,ele acertou a mão em “Poucas Cinzas”,mas será criticado em outra edição).Acompanhamos a história de Jacob(Pattinson),um cara que estudava para ser veterinário,mas que perdeu a família em um acidente justo no dia de sua prova final,e com ela foi á falência pois os pais fizeram até empréstimo para sua formação.Em plena recessão da década de 30,Jacob,como milhares de norte-americanos,vaga pelas estradas atrás de emprego,até achar um circo,conseguindo um trabalho lá,mas acaba se apaixonando pela mulher do dono(Reese),que trabalha com animais,e vai ter de lutar para conseguir triunfar seu amor.Uma coisa boa nisso tudo é a fotografia do filme,mas é pouco para tanta expectativa.
3-DOCUMENTÁRIO
*NOTÍCIAS DA ANTIGUIDADE IDEÓLOGICA: MARX, EISENSTEIN, O CAPITAL (NACHRICHTEN AUS DER IDEOLOGISCHEN ANTIKE-MARX, EISENSTEIN, DAS KAPITAL). ALEMANHA.2008.DIR.:ALEXANDER KLUGE.ELENCO:HANS MAGNUS ENZENSBERGER,TOM TYKWER.492 MIN.
Esse é um dos filmes multimídias mais esperados dos últimos tempos, onde o diretor alemão Alexander Kluge tenta retomar um antigo projeto do genial diretor russo Eisenstein de tentar filmar o livro “O Capital” do pensador alemão Karl Marx.Eisnestein queria filmar o obra partindo da estrutura literária do maior livro de todos os tempos, ”Ulisses” do irlandês James Joyce, que contou em 24 horas a história da humanidade.Depois de várias tentativas deixou de lado o projeto que foi retomado agora por Kluge, que seguiu os diários do diretor russo e através de oito horas de duração, com 3 DVDs, tenta situar o pensamento de Marx no momento atual, depois do fim da União Soviético e o fim das utopias, e onde a crise financeira mundial atual põe em cheque também a sociedade capitalista. Usando de várias linguagens midiáticas,Kluge convida filósofos atuais como Enzenberger para questionarem a sociedade de consumo,além do iconoclasta Jean Luc Godard,o último cineasta contestador de nossos tempos.Ao final dessa empreitada,saímos com mais dúvidas do que certezas,e apesar do viés esquerdista da produção que chega a veicular imagens de populistas como Chávez,ditador da Venezuela,e Evo Morales,da Bolívia,personagens dúbios da história atual,ao fim podemos dizer que ainda vivemos em uma sociedade em construção,que nos convoca para repensá-la.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, estava ouvindo “Cauby canta Baden”, homenagem do grande cantor Cauby Peixoto ao mestre do violão Baden Powell. Música da semana:”Vou por aí”,com letra de Vinicius de Moraes.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*HANAMI-CEREJEIRA EM FLOR (KIRSCHBLUTEN-HANAMI). ALEMANHA.2008.DIR.:DORIS DORRIE.ATORES:HANELORE ELSNER,ELMAR WEPPER.DRAMA.127 MIN.
Um dos melhores filmes dos últimos tempos, esse drama nos toca com sua temática sobre a morte, a superação e o fim das coisas. A experiente diretora alemã Doris Dorrie está em ação desde a década de 60 com filmes populares,mas aqui ela se excedeu para contar-nos a história de um casal de alemães da Bavária que vive uma vida sem graça,ele trabalhando com lixo,até que a esposa Trudi(Elsner) descobre que o marido está em vias de morrer e sugere uma viagem para visitar os filhos,um no Japão e outros em Berlim.Ao pararem em Berlim,são recebidos com frieza pelos filhos e resolvem ir ao Mar Báltico,mas chegando lá,inesperadamente Trudi morre depois de se deitar,e Rudi(Wepper) descobre através de cartas que a sua mulher sonhava com uma viagem para o Japão,pois amava as cerejeiras em flor e as danças de Bhuto.Resolve então partir para a terra do sol nascente,onde mora seu filho,e ali vai descobrir dentro de si um outro ser que ele não deixava emergir,para a surpresa do filho,que não aceita ver a transformação do pai,ainda mais que ele descobre uma jovem japonesa,Yu,uma artista de rua,que vai compartilhar com ele de suas descobertas.Esse filme tem dois títulos,um que nos remete à flor de cerejeira,e outro em japonês,”Hanami”,que é o nome de uma cerimônia japonesa para observarem as cerejeiras se abrirem em flor, um espetáculo que não acontece em outras partes do mundo,e no filme sentimos essa mudança de sentido na trajetória de vida de Rudi,que se transforma em uma pessoa mais zen,mais oriental,à medida em que vai descobrindo-se,e a cena representativa acontece no final quando ele e Yu esperam o desabrochar da flor e subitamente surge do nada o Monte Fuji,um espetáculo raro de se ver,e que fecha com chave de ouro esse filme maravilhoso.
*O PODER E A LEI (THE LINCOLN LAWYER). EUA.2011.DIR.:BRAD FURMAN.ATORES:MATTHEW McCONAUGHEY,MARISA TOMEI,RYAN PHILIPS.POLICIA.118 MIN.
Um filme policial que nos surpreende com suas reviravoltas e um grande acerto no ator Matthew McConaughey, um galã que aqui faz o papel de um advogado de nome Mick Haller sem muito interesse pela ética, contanto que ganhe um caso, e que está fazendo seus negócios dentro de seu carro Lincoln, principalmente com traficantes e gangues de motoqueiros. Quando aparece um caso onde pode ganhar uma boa grana,ele é chamado para defender um playboy de família abastada, acusado de estuprar um prostituta,e tudo leva a crer que a garota quer aproveitar da boa situação do rapaz para extorquir um dinheiro da família.Quando tudo parece levar a um julgamento normal,fatos novos complicam a vida do playboy,e Mick acaba descobrindo que seu envolvimento pode acabar levando a ele próprio para a cadeia.Apesar de sabermos mais ou menos quem são os culpados,chegamos até o fim da película sem saber de seu fim,e a atuação de McConaughey é desconcertante,pois ele nos passa uma imagem não de esperteza ou de cinismo,mas de um realismo que humaniza seu personagem e nos faz torcer para ele.
2-DOCUMENTÁRIO
*OS PESCADORES DE ARAN (THE MAN OF ARAN). INGLATERRA.1974.DIR.:ROBERT FLAHERTY.ATORES:COLMAN TIGER KING,MAGGIE DIRRANE.77 MIN.
Esse filme está classificado como documentário, mas é pouco para falar dessa genial película feita pelo aclamado diretor Robert Flaherty, o mesmo que havia filmado antes “Nanook do Norte). Com uma edição e montagem primorosa, Flaherty passou dois anos na costa oeste da Irlanda num local chamado de Ilha de Aran, local esse inóspito onde vivem os pescadores entre as rochas pontiagudas e um mar enfurecido.Lá ele nos mostra a luta desse grupo para sobreviver em um chão cheio de pedras, e onde até para plantar, há que se usar da picareta para furar as rochas e achar o solo. Flaherty tornou-se famoso por procurar sempre nos mostrar as dificuldades que alguns grupos têm que enfrentar para poder sobreviver, e suas imagens são deslumbrantes. Nos extras há um documentário importante: “Como O Mito Foi Criado: Um Estudo Sobre os Pescadores de Aran” feito em 1977 pelo diretor George Stoney, que elucida a forma como Flaherty filmou sua obra-prima, e onde podemos reencontrar vários dos personagens quarenta anos depois. Temos também “Flaherty e Seu Filme”, uma apresentação feita em 1966 para a televisão com Frances Flaherty, sua esposa, além de uma entrevista feita pelo próprio Robert. Fato interessante é que o filme às vezes tem falas incompreensíveis que não são traduzidas, pois são ditas no idioma gaélico, uma língua falada em alguns lugares da Irlanda.
3-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, me voltei para a França, à procura de Michel Legrand, grande maestro e compositor que tem marcado a música mundial com suas melodias imortais. Música da semana:”Les Moulins De Mon Coeur”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*CÓPIA FIEL (COPIE CONFORME). FRANÇA.2010.DIR.:ABBAS KIAROSTAMI.ATORES:JULIETTE BINOCHE,WILLIAM SHIMIELL.106 MIN.
O cinema iraniano assombrou o mundo com seu jeito incomum de filmar fatos cotidianos, mas cheios de significado, e o grande nome do cinema de lá é Abbas Kiarostami, realizador de filmes que caíram no gosto do público ocidental, como “O Gosto de Cereja” e “Através das Oliveiras”. Por causa do terrível sistema político do Irã,governado por religiosos e fanáticos muçulmanos,Abbas teve de se exilar na Europa e essa é a sua primeira produção francesa de um filme todo rodado na belíssima região de Toscana na Itália.A maravilhosa atriz francesa Juliette Binoche,já contemplada com um Oscar por sua atuação em “O Paciente Inglês”,acabou levando o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 2010 por esse filme onde faz o papel de uma mulher aparentemente solteira que viaja com seu filho de 10 anos pelo interior italiano,e é dona de um aloja de antiguidades em Arezzo.Acompanhamos seus passos em direção a uma palestra e lançamento de um livro chamado “Cópia Fiel” de um escritor inglês chamado James Miller (Shimiell),um erudito que questiona a obra de arte entre sua originalidade e a sua cópia.Após a palestra os dois se encontram e saem de carro para conhecerem alguns pontos turísticos da Toscana,mas a partir daí o filme nos confunde,pois não sabemos ao certo se eles já tiveram um caso antes,ou se foram casados, e eles começam a viver papéis que forjam para si,como se a questão da cópia também fizesse parte da vida deles.Não é um filme fácil e exige do público uma atenção e uma sensibilidade aguçada,pois ali vemos ecos de grandes diretores como Roberto Rossellini e Alan Resnais,cujos filmes traziam a ambigüidade da linguagem ,mas tiramos o chapéu para o diretor iraniano que nos leva a um mundo onde a sensibilidade e a inteligência dominam as cenas.E Juliette Binoche mais uma vez nos prova que é uma das melhores atrizes de nosso tempo,unindo sua beleza com uma interpretação precisa de um personagem misterioso,mas de nos tirar o fôlego.
2-CINEMA NACIONAL
*AS MÃES DE CHICO XAVIER. BRASIL.2010.DIR.:GLAUBER FILHO,HELDER GOMES.ATORES:TAINÁ MULLER,VIA NEGROMONTE,NELSON XAVIER.DRAMA.109 MIN.
O filão dos filmes espíritas tomou conta da produção cinematográfica brasileira, pois existe um grande público que professa essa religião, além da figura carismática de Chico Xavier, um brasileiro exemplar que deixou seu nome entre as pessoas iluminadas que aqui povoaram esse planeta. Acontece que a quantidade começou a desandar e filmes como “Nosso Lar” foram bem criticados pela ausência de qualidade artística,o que não é o caso desse filme sensível dirigido por Glauber Filho e Helder Gomes,que deu o prêmio de Melhor Coadjuvante para Tainá Muller no 4° Los Angeles Brazilian Film Festival desse ano.A história gira em torno da vida de três mães,Ruth,que tem um filho com problema com drogas,Elisa,cujo marido é ausente e ela vive em função do filho de 5 anos,e Lara,que teve uma gravidez não planejada,todas as três que viverão um grande drama e procurarão achar forças com Chico Xavier.Com Nelson Xavier novamente no papel do médium,pode-se esperar do público momentos de emoção e de muita lágrima,ao ver nas telas as experiências transformadoras que as mães passam.
3-MUSICAL
*SOM BRASIL MARCOS VALLE. 2010.DIR.:CACÁ SILVEIRA E LUIZ GLEISER.PARTICIPAÇÃO:MARCOS VALLEMMONIQUE KESSOUS,TULIPA RUIZ,JAIR OLIVEIRA,ZÉLIA DUNCAN,KASSIN,DOMÊNICO.46 MIN.
A TV Globo tem um programa chamado Som Brasil que passa uma vez por mês nas sextas- feiras, onde homenageia os grandes compositores nacionais, convidando os novos nomes da nossa música para interpretarem suas canções. Infelizmente esse programa passa tarde da noite,impossibilitando que as pessoas assistam,mas agora está saindo nas locadoras,dando chance para que possamos ver grandes eventos como é esse do Marcos Valle,um especial fantástico com quatorze músicas suas escolhidas a dedo por gente como Zélia Duncan e Tulipa Ruiz.Depois de assistirmos,descobrimos porque Marcos Valle hoje é um nome conhecido no mundo todo,pois sua música é universal e da melhor qualidade que se imagina.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, deixei o DVD do Marcos Valle rodando, com o melhor do seu trabalho. música da Semana:”Preciso Aprender a Ser Só”,com Marcos Valle e Zélia Duncan.
Otávio Paiva
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1-LANÇAMENTOS DA SEMANA
*POESIA (SHI). 2010.CORÉIA DO SUL.DIR.:LEE-CHANG-dong.ATORES:YUN JEONG-hie,AHN NAE-sang.DRAMA.139 MIN.
O cinema é uma arte que se alastrou por todo o planeta e hoje temos excelentes produções em países que nos são tão distantes, mas que nos revelam que a verdadeira natureza do ser humano nos faz semelhantes, não importa o local, a nossa cor ou nossas posses. Está aí esse filme para nos levar à Coréia do Sul onde vamos encontrar Mija,uma avó que já tem mais de 60 anos,mas cuja curiosidade pelas coisas da vida a faz entrar em um curso num centro cultural onde se ensina a escrever poesia,um sonho que tem desde criança.Seus questionamentos sobre a vida a levam a toda hora se confrontar e tentar entender a vida, e nesse curso vai apurar seus sentimentos e a sensibilidade para dali extrair seu primeiro poema,mas a vida a chama à realidade pelas mãos do neto que vive com ela,um adolescente igual a maioria,que só pensa em televisão e vídeo game,e não consegue interagir com os mais velhos.Um dia Mija recebe os pais dos amigos de seu neto em sua casa e descobre que eles estupraram uma colega de sala várias vezes,levando-a a cometer suicídio ao pular de uma ponte em um rio profundo.Com dor ela vai descobrir um outro lado da nossa existência,o lado do mal e da indiferença com a individualidade,justo na figura de seu neto que ela pensava ser uma criança ingênua e inocente.Para redimir a perda da garota,os pais querem comprar o silêncio da mãe com uma quantia de dinheiro vultosa,fato que fará Mija se sentir a pior de todas as pessoas,pois ela é também mulher e sabe da dor que sua semelhante está passando.Não para de freqüentar o curso de poesia,mas terá de fazer qualquer coisa para conseguir o dinheiro,até coisas condenáveis para sua conduta, e todas as situações a precipitam a tomar decisões que terão repercussão pelo resto de sua vida,mas será que ela conseguirá escrever seu poema depois disso tudo?A resposta está lá na tela nesse filme de grande beleza visual, que apesar de ser longo, nos arrebata.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*CHANTAGEM E CONFISSÃO (BLACKMAIL)/ASSASSINATO (MURDER).1929/1930.DIR.:ALFRED HITCHCOCK.ATORES: ANNY ONDRA.CHARLES PATON (CHANTAGEM), HERBERT MARSHALL, NORAH BARING.96 MIN. /108 MIN.
São dois filmes em um só DVD, por isso essa confusão aí em cima, mas são dois clássicos desse diretor formidável que foi Hitchcock, sendo que o primeiro deles foi o primeiro filme falado na Inglaterra e conta a história de uma jovem frívola que mata um artista que tentou estuprá-la, mas que acaba presa entre o detetive destacado para desvendar o assassinato (por acaso seu namorado) e um chantagista que a viu com o artista pouco antes de sua morte. Hitchcock usa de estratégias psicológicas e da voz como mais um instrumento para trazer mais suspense ao filme.A segunda película trata também de um assassinato,mas aqui ele usa um júri para julgar a ré,uma bela atriz que supostamente matou a rival,mas apenas um jurado não acredita na sua culpa,ele também um ator,e aqui Hitchcock trabalha com os limites entre a ficção e a realidade,nessas duas obras primas que não perderam a beleza ,nem a atualidade.
3-MUSICAL DA SEMANA: HOMENAGEM A JAMES BROWN. SOUL JUBILLEE.LIVE AT ATLANTA-1984.
O gênio musical norte americano James Brown descansou justo no dia do aniversário de Nosso Senhor aos 73 anos de idade no ano de 2006, mas deixou um legado impressionante para a cultura mundial. Vindo da parte sul dos Estados Unidos, Brown conseguiu pegar toda a herança gospel das religiões batistas e transformá-la no balanço do soul e mais adiante no funk, sendo creditada a ele a invenção desse ritmo. Pelo DVD podemos sentir o impulso vulcânico de sua dança que influenciou de Michael Jackson a Prince, alcançando as últimas décadas com o advento do hip hop e da música eletrônica onde todos colheram de suas generosas criações a inspiração para criarem a moderna música do mundo. Seus melhores momentos foram capturados em DVD no álbum “Soul Jubilee” e em seu show chamado “Live at Montreux 1981”. Fica aqui a homenagem ao Poderoso Chefão do Soul, Mr. James Brown.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, me pus a ouvir a famoso álbum de James Brown, ”Live at Apollo”, gravado no famoso clube Apollo Theatre, no Harlem, em Nova York,em 1963, e considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos. Música da semana: “Try Me”.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*INCÊNDIOS (INCENDIES). 2011.CANADÁ.DIR.:DENIS VILLENEUVE.ATORES:MAXIM GAUDETTE,MÉLISSA DÉSORMEAUX-POULIN,LUBNA AZABAL.DRAMA.130 MIN.
O cinema canadense se destaca pela qualidade de seus diretores, como Denis Arcand e Denis Villeneuve, que estão sempre questionando a maneira americana de viver. Concorrente ao Oscar de melhor Filme Estrangeiro desse ano, acompanhamos no início a leitura de um testamento que a mãe deixou aos seus filhos gêmeos Simon(Gaudette) e Jeanne(Melissa),quando então descobrem que têm um irmão e que o pai ainda estava vivo.No testamento ela pede para encontrar os dois e entregar uma carta selada,tarefa que só a irmã aceita desincumbir e que a levará ao Oriente Médio atrás de seus parentes,mas vai acabar descobrindo fatos chocantes sobre sua mãe que ela jamais imaginou:ela havia sido guerrilheira e matou um político muito importante,indo para a cadeia e lá gerando os gêmeos após ter sido estuprada pelo segurança.Esse filme foi rodado na Jordânia,apesar de não sabermos exatamente qual país é,mas vemos bastante saque,incêndios,explosões de homens-bombas,nos fazendo crer que talvez seja no Líbano onde o fundamentalismo religioso alimenta um mal estar na civilização ocidental,embora saibamos no decorrer um pouco também da história dos filhos dos imigrantes que aqui acorreram fugindo da guerra.A atriz belga Lubna Azbal nos presenteia com uma interpretação vigorosa fazendo o papel da mãe atormentada que guarda um segredo tão terrível que,ao final do testamento pede que a enterrem sem caixão,nua e sem orações,com a face voltada para a terra,pois não merece nem um epitáfio por não ter cumprido suas promessas.Realmente o final é atordoante e inesperado,nos deixando desolados depois de mais de duas horas de um filme com mais de cem personagens e com vários momentos históricos sendo revisados.Talvez o melhor deles até agora ,e que ainda continua passando nos cinemas das grandes capitais.
2-DOCUMENTÁRIO
*O HOMEM QUE ENGARRAVA NÚVENS. BRASIL.DIR.:LÍRIO FERREIRA.PARTICIPAÇÕES:GILBERTO GIL,CAETANO VELOSO,CARMEM MIRANDA.106 MIN.
“O Brazil não conhece o Brasil”. Essa frase lapidar, que Aldir Blanc imortalizou na voz de Elis Regina,diz muito sobre a memória cultural do brasileiro que desconhece aquelas pessoas que realmente honraram as cores do nosso país.É o caso de Humberto Teixeira,compositor,advogado,deputado federal,poeta e criador das leis que regem os direitos autorais dos músicos,mas um ilustre desconhecido das pessoas,apesar de ter sido parceiro de Luiz Gonzaga e ter composto “Asa Branca”, a segunda música mais conhecida do Brasil ,depois de “Carinhoso.Nesse maravilhoso documentário dirigido por Lírio Ferreira, fotografado por Walter Carvalho e produzido pela filha de Humberto ,a grande atriz Denise Dummont ficamos sabendo da trajetória dele desde o nascimento em Iguatu,Ceará,em 1915,sua vinda para o Rio e formação em advocacia,e seu encontro com Gonzagão na década de 50,com uma parceria que modificou a música popular brasileira através da introdução para o público do baião.Esse ritmo, que tem a cara do nordeste e seus migrantes que aqui aportaram para fugir da seca, se tornou muito popular e trouxe a sanfona para a moda,inclusive chegando aos Estados unidos pela voz de Carmem Miranda que usou a música “Baião”de Humberto e Luiz para um de seus famosos filmes. O grande problema é que Gonzagão ofuscou Humberto e todo mundo acha que suas músicas são apenas do “Lua”,se esquecendo não só dele mas de outros parceiros como Zé Dantas,que contribuíram com pérolas como “Kalu”,”Assum Preto”,”Adeus Maria Fulo” e “Baião de Dois”.A sinceridade desse documentário advém de Denise,filha de Humberto,que sofreu com o machismo do pai e entrevistou a mãe,que também mostrou um outro lado de Humberto que tem que ser exibido,mas é divertido assistir ao cantor norte-americano David Byrne,fundador do lendário grupo Talking Heads,apresentando “Asa Branca”.
3-CLÁSSICOS DO CINEMA
*ARTHUR, O MILIONÁRIO (ARTHUR). EUA.1981.DIR:STEVE GORDON.ATORES:DUDLEY MOORE,JOHN GIELGUD,LIZA MINNELLI.COMÉDIA.97 MIN.
Chegou às lojas uma comédia chamada “Arthur, O Milionário Irresistível” concebida esse ano, mas ainda prefiro a história original filmada há trinta anos com o grande comediante Dudley Moore, e que tem a participação especial de um dos maiores atores de todos os tempos, o britânico John Gielgud, o que dá um sabor sensacional às cenas. Arthur é um beberrão feliz sem grandes ambições, mas é também um herdeiro de uma fortuna imensa deixada por um tio, mas com a condição de que ele se case com uma mulher que ele não gosta, mas que é perfeita para dar um jeito nele. Ele acaba conhecendo uma garota sem dinheiro algum,Linda(Liza) e se apaixona por ela,pondo em risco seu futuro.Esse filme concorreu ao Oscar em 1982 e venceu nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante(Gielgud) e Melhor Canção Original com “Arthur’s Theme(Best That You Can Do)na voz de Christopher Cross.Gielgud faz o papel de mordomo de Arthur e sua atuação nos enche os olhos nessa comédia que merece ser revisada.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna,aproveitei para ouvir um álbum maravilhoso com o cantor Tony Bennett e o pianista Bill Evans gravado na década 70.Música da semana:”Dream Dancing”.
Otávio Paiva
www.deltadvdvideo.com.br
1-LANÇAMENTOS DA SEMANA
*O VELHO QUE LIA ROMANCES DE AMOR (THE OLD MAN WHO READ LOVE STORIES).2001.DIR.: ROLF DE HEER.ATORES: RICHARD DREYFUSS,HUGO WEAVING.DRAMA.115 MIN.
O ator Richard Dreyfuss tem um currículo notável em sua carreira cinematográfica, com atuações marcantes desde a década de 60 em “A Primeira Noite de um Homem, entrando nos 70 com “Tubarão”, ”Contatos Imediatos de 3° Grau” e uma série de filmes que o fizeram famoso. Aqui está ele como Bolívar, com 60 anos e morando na selva em plena reclusão, tendo como grande paixão a leitura de livros românticos, da qual compartilha com sua amiga Josefina. Na pequena cidade de El Idílio, às margens de um pequeno afluente dó Rio Amazonas, ele vive, ladeado por um prefeito corrupto e com a chegada do dentista Rubicondo (Weaving), encontra alguém que o incentiva a ler mais, trazendo-lhe romances e o incentivando a se declarar para Josefina. Tudo vai calmo até a chegada de colonos que começam a caçar animais valiosos, entre eles os filhotes de um jaguar, e a onça-mãe enfurecida começa a atacar e matar os habitantes, forçando o prefeito a organizar uma expedição para por fim à vida do animal. O grande momento do filme reside nessa caça, que vai expor a personalidade de todos os participantes, principalmente de Bolívar, que vai ter de confrontar sua vida com o grande respeito que possui pelos animais. Ganhador do Festival de Adelaide na Austrália, essa bela história com imagens memoráveis foi dedicada a Chico Mendes, nosso guerreiro lutador pelo meio-ambiente, sendo o personagem principal uma pessoa com a característica do brasileiro. Seu grande interesse pela leitura parece trazê-lo ao mundo da beleza literária, uma maneira de lhe resgatar um pouco da civilização que ele perdeu na selva.
*DE PERNAS PRO AR. 2010.DIR.:ROBERTO SANTUCCI.ATORES:INGRID GUIMARÃES,MARIA PAULA.COMÉDIA.101 MIN.
Grande sucesso do cinema nacional no ano passado, não fez feio também quando se tornou DVD, com um público muito bom. Era para se chamar “Sexo Delícia”,mas os marqueteiros resolveram mudar,porque,segundo eles,o público não aprovou o título,fato bem estranho em se falando de Brasil.A trama segue uma executiva que trabalha demais e não tem tempo nem para o marido,que acaba se separando dela,mas um dia bate à sua porta uma vizinha que é dona de um sex-shop e a vida dela muda desde então.Ela vai à luta para ter de volta o marido,gerando bons momentos no filme,mas realmente não me empolgou a ponto de rir tanto quanto o público que lotou suas sessões.
2-CLÁSSICOS DOCINEMA
*O ANO PASSADO EM MARIENBAD (L’ANNÉ DERNIÈRE A MARIENBAD). 1961.DIR.:ALAN RESNAIS.ATORES:DELPHINE SEYRIG,SASCHA PITOEFF.DRAMA.86 MIN.
Lembro-me quando assisti a esse filme pela primeira vez e não entendi nada, mas achei belíssimas as imagens. Agora passados trinta anos dessa experiência,tive a oportunidade de revê-lo,e ele cresceu aos meus olhos e entendo porque é considerado um marco na história do cinema,com sua rebelião narrativa que nos desconcerta com as mudanças do tempo , e do discurso com a beleza poética do roteiro de Alain Robbe-Grillet.O filme é todo passado em um hotel e tem apenas três personagens principais,um narrador,cuja voz ouvimos o tempo todo,a mulher com quem esse está apaixonado e um homem que parece ser o marido dessa mulher.Todo o tempo ouvimos o narrador dizer à mulher de um encontro que tiveram no ano anterior e de seu desejo que ela parta com ele,mas ela não se lembra disso,embora se comporte como se tal fato houvesse ocorrido.Embora cada um entenda do jeito que quiser,esse filme tem profundas raízes filosóficas,principalmente existencialistas,mas fica no ar uma pergunta sobre nossa consciência, sobre a memória que temos das coisas,e principalmente sobre o prazer que nos dá poder usufruir de imagens quase sem sentido,mas que nos toca no nosso lado emocional, nos confronta com o mistério da vida.
3-MUSICAL
*BETO GUEDES AO VIVO-OUTROS CLÁSSICOS.
No dia 14 de julho de 2010 no Palácio das Artes de Belo Horizonte foi gravado o show de Beto Guedes para ser transformado em DVD, com as participações especiais de Daniela Mercury, Célio Balona e Wagner Tiso, além de uma banda afiada, três ótimos vocalistas e uma pequena orquestra de câmera. Nada mais merecido para esse mineiro de Montes Claros que deixou seu nome como um dos maiores compositores da música popular brasileira e que precisa ser reverenciado pela nova geração que ainda não conhece seu trabalho.O repertório foi escolhido na internet pelos fãs de Beto,mas ele privilegiou as músicas menos conhecidas,mas nem por isso menos belas que se espalharam pelos seus álbuns,com pérolas como “Rio Doce”,”Olhos de Jade”,”Balada dos 400 Golpes”,Luz e Mistério” e tantas outras maravilhas que marcaram as vidas de nós todos.A apresentação de Beto traz uma fragilidade na sua pequena voz,mas que se converte em força pela sinceridade e emoção que coloca em cada arranjo,ele que sempre foi um multi-instrumentista,um músico magistral que agora nos presenteia com sua sempre jovem arte.
4-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna deixei mais uma vez tocando o DVD de Beto Guedes descrito acima, e olha que vale a pena sempre ouvir mais uma vez. Música da semana:”O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre” de Beto Guedes e Fernando Brant.
Otávio Paiva
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1-DICAS DA SEMANA
*QUART4B. 2007. DIR.:MARCELO GALVÃO.ATORES:CHRISTIANO COCHRANE,MICHELA CESCON.DRAMA.90 MIN.
O cinema brasileiro tem surpreendido o público com grande aceitação, bilheterias astronômicas e uma visibilidade que já chega ao exterior, com nossos diretores sendo chamados para dirigirem grandes blockbusters. Muitas vezes nossas produções abordam temas polêmicos, trazendo a discussão e a reflexão para as mesas de bar, e é o caso desse filme que foi vencedor da 29ª Mostra Internacional de São Paulo (júri popular), nos contando a história de uma reunião entre pais, professores, o zelador e o diretor de uma escola onde foi achado em uma carteira um tijolo de maconha na sala trazido por um aluno de 10 anos. Depois de muita deliberação sem chegar a nenhum consenso, um dos pais propõe que eles provem do efeito da droga para saberem melhor o que se passa na cabeça de um usuário, e a partir daí as coisas vão perdendo o rumo, inclusive por parte do diretor que peca bastante com o uso de efeitos especiais duvidosos. Os personagens ás vezes se perdem em estereótipos, mas fica interessante ver o mosaico de pensamentos divergentes da sociedade brasileira, além da discussão sobre a descriminalização da maconha que está em curso atualmente, já que a repressão ao tráfico mostrou-se contraproducente e muitos já admitem que esse problema tem de sair da esfera policial para abarcar o universo da saúde pública. É interessante também assistir às entrevistas que existem nos extras,onde várias pessoas dão seus pareceres sobre o grande problema que as drogas trazem no mundo atual.
*O RETRATO DE DORIAN GRAY (DORIAN GRAY). 2009.DIR.:OLIVER PARKE.ATORES:COLINA FIRTH, BEM BARNES.DRAMA.112 MIN.
O escritor irlandês Oscar Wilde foi uma das pessoas mais interessantes de sua época e aliou sua pena afiada com um estilo de vida que chocou seus pares, pagando um alto preço, quando foi preso acusado de seduzir um jovem nobre. O importante é que sua obra perdura e esse filme foi baseado em um dos melhores romances de todos os tempos,o que torna as coisas bem difíceis para o diretor que for adaptar tal obra para as telas.Basta compará-lo com a obra-prima filmada em 1945 pelo diretor Albert Lewin e veremos que Oliver Parke não conseguiu trazer às telas a beleza da linguagem de Wilde e nem sequer seus personagens conseguiram traduzir o sentido que o livro havia lhes dado.Dorian Gray(Barnes) é um jovem belo e inocente que se muda para Londres após herdar uma casa, e acaba conhecendo Lord Henry Wotton (Firth),um homem amoral e pernicioso que leva Dorian para a alta sociedade e o apresenta para todos os prazeres e vícios que Londres possui.Um pintor chamado Basil se apaixona por ele e o pinta tentando captar toda a beleza do jovem, e Dorian promete que faria qualquer coisa para conservar o mesmo visual que está pintado no quadro,e à medida que vai envelhecendo e se tornando uma pessoa pérfida e odiosa,sua aparência continua a mesma,apenas o quadro é que modifica mostrando sua verdadeira face desfigurada.Dorian vai fazer de tudo para guardar seu segredo,escondendo o quadro no sótão para que ninguém veja sua verdadeira personalidade.É uma história belíssima, que nos enche de pena pelo que se tornou Dorian,mas infelizmente o filme não conseguiu nos passar esse sentimento,que me faz aconselhar o leitor com muita veemência a assistir o clássico filmado em 1945.Até Colin Firth,ganhador do último Oscar como melhor ator no filme “O Discurso do Rei”,não convence como Lord Henry, e por fim o diretor ainda teve a coragem de mudar o fim da novela,cometendo um verdadeiro assassinato literário.
2-CLÁSSICOS DO CINEMA
*OS IRMÃOS KARAMAZOV (BROTHERS KARAMAZOV).1958.DIR.: RICHARD BROOKS.ATORES:YUL BRYNNER,MARIA SCHELL,CLAIRE BLOOM.DRAMA.145 MIN.
Um dos livros mais poderosos, escrito pelo russo Dostoievsky, e aclamado por Freud como o melhor livro de todos os tempos, recebeu um belíssimo tratamento para sua versão nos cinemas, com um toque exemplar do diretor Richard Brooks. Passa-se em Ryevsk, Rússia no ano de 1870 e nos conta a trajetória da família Karamazov onde o pai Fyodor é um rico pão duro que trata os quatro filhos como se fossem animais e a tensão que provoca levará à terríveis conseqüências no futuro.Entre seus filhos encontramos Dmitri(Brynner),um oficial que está sempre quebrado por causa dos jogos, que acaba se apaixonando pela amante de seu pai,Grushenka, deixando-o enciumado,enquanto seus irmão torcem para que haja algum confronto que leve à morte do pai,para que possam herdar suas fortunas. O fim dessa saga nos traz um retrato da condição humana, onde o perdão e a redenção dão-se as mãos.
3-MÚSICA DA SEMANA
Enquanto escrevia essa coluna, voltei no tempo e fui atrás do guitarrista e cantor norte-americano George Benson com seu álbum de 1978, “Weekend in L.A”, onde a inspiração e a técnica foram a tônica. Música da semana:”The Greatest Love Of All”.
Otávio Paiva
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